MORADORES DE RUA SÃO TORTURADOS POR 8 HORAS, PM PRENDE 5 SUSPEITOS EM ITAQUÁ

Vítimas foram espancadas em loja de Itaquaquecetuba, diz polícia. Foto: Ilustrativa
Vítimas foram espancadas em loja de Itaquaquecetuba, diz polícia. Foto: Ilustrativa

A Polícia Militar de Itaquá, prendeu no fim da tarde de domingo (4) cinco homens suspeitos de terem sequestrado, mantido em cárcere privado e torturado por oito horas dois moradores de rua. O crime foi em uma loja de baterias na Vila Ursulina. Os suspeitos – entre eles o dono do comércio e seu filho – acusaram as vítimas de terem furtado o estabelecimento. Os moradores de rua, de 51 e 31 anos, tiveram vários ferimentos. O mais velho foi internado no Hospital Santa Marcelina com hemorragia interna e passou por cirurgia, de acordo com a polícia. O segundo, mesmo ferido, prestou depoimento na Delegacia Central.

O morador de rua de 31 anos relatou que os dois foram espancados, tiveram que tirar roupa e que os agressores ainda cortaram o cabelo deles. Segundo ele, a tortura foi filmada e fotografada. A polícia apreendeu dois porretes – um deles com marcas de sangue – uma máquina de cortar cabelo, 50 g de cabelo e dois celulares. Segundo a polícia, os dois confessaram ter furtado baterias da loja há cinco dias.

O crime
Os policiais militares relataram que foram até a loja após uma denúncia de furto. Ao chegar, encontraram as portas parcialmente abertas e foi possível ver que havia pessoas do lado de dentro e que a luz estava acesa. Os policiais relataram que mandaram que a porta fosse aberta. Como a ordem não foi obedecida, eles abriram completamente as portas e encontraram três homens: dois em um sofá e o terceiro deitado em outro sofá, bastante machucado. O homem, segundo a polícia, tinha cortes no corpo, o cabelo raspado e estava com o nariz sangrando.

De acordo com a PM, antes de ser levado ao hospital e internado, ele chegou a confessar que realmente tinha furtado a loja dias antes. Ele disse que tinha sido levado ao estabelecimento à força, que tinha apanhado muito e que estava com bastante dor. Uma viatura então levou o morador de rua para o hospital. Na loja, a PM localizou uma máquina de cortar cabelo e um porrete com vestígios de sangue.

Os outros dois homens que estavam no local eram o dono da loja e um pedreiro, de 51 e 18 anos, respectivamente. De acordo com a polícia, eles relataram que o homem ferido e um comparsa tinham furtado baterias da loja dias antes e que estava machucado porque se feriu ao invadir o comércio. O dono da loja negou ter batido no homem e disse que não registrou boletim de ocorrência do furto.

Segundo a PM, o proprietário contou ainda que seu filho, de 23 anos, e outros dois homens – de 22 e 23 anos – tinham ido com o segundo morador de rua tentarrecuperar as baterias. Os policiais então mandaram que o homem ligasse para o filho para que ele retornasse à loja. Ainda segundo a polícia, depois de 20 minutos chegou um carro com quatro pessoas, entre elas estava o morador de ru, de 31 anos. De acordo com a Força Tática, os supeitos gritavam para a vítima que estava no carro: “agora quero ver roubar vagabundo”. No carro estava o segundo porrete.

Segundo a polícia, o morador de rua saiu do carro pedindo socorro. O homem tinha lesões nas mãos, pernas e várias escoriações. Este morador de rua também teria confessado o furto de baterias dias antes. O homem recebeu atendimento médico, foi liberado e prestou depoimento na delegacia.

A abordagem
Na delegacia, o morador de rua mais jovem relatou que foi abordado às 9h30 de domingo por quatro homens em um carro. Segundo a vítima, eles diziam que ele iria pagar pelos furtos. Ele e a outra vítima foram colocados dentro do veículo. O morador de rua relatou que além de apanhar, os dois tiveram que tirar a roupa e que a tortura foi fotografada e filmada, inclusive pelo dono da loja. Segundo a vítima, além da confissão do furto, os agressores queriam saber onde as baterias estavam e que eles indicassem quem eram o terceiro homem que participou do furto de baterias.

Investigação
O homem confessou à polícia, segundo o delegado Wadton Adrade Santos, que furtou sete baterias automotivas e que depois de toda a agressão indicou aos suspeitos de tortura onde estavam quatro baterias. Ele ainda relatou, de acordo com o boletim de ocorrência, que todos participaram da tortura e que dois deles chegaram a colocar uma faca em seu pescoço e o ameaçaram de morte.

Segundo o delegado, os indiciados pela tortura e cárcere deram versões contraditórias.
Com relação ao furto, como não houve flagrante, a Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso e os moradores de rua poderão responder por furto qualificado.
Dos cinco suspeitos de tortura e cárcere privado, quatro já tinham passagem pela polícia por crimes como roubo e tráfico de drogas. Os crimes pelos quais eles são investigados agora não preveem o pagamento de fiança.

O G1 apura o estado de saúde do morador de rua mais velho, que foi internado.

Fonte: http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2016/09/pm-prende-5-por-suspeita-de-torturar-moradores-de-rua-por-oito-horas.html

 

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One Thought to “MORADORES DE RUA SÃO TORTURADOS POR 8 HORAS, PM PRENDE 5 SUSPEITOS EM ITAQUÁ

  1. SILVANA

    AQUI EM ITAQUA SO TEM DESGRAÇA E GENTE A TOA

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